O mundo do vinho se volta cada vez mais para as produções chilena e argentina, fazendo da rota entre Santiago e Mendoza uma das mais interessantes do continente. Mas há mais: separadas pela Cordilheira dos Andes, a capital do Chile e a quarta maior cidade da Argentina estão repletas de atrações para os outros sentidos. Você pode alugar um carro em Santiago e seguir no sentido de Mendoza com a certeza de fazer uma viagem inesquecível.
Antes de cair na estrada, explore um pouco mais a capital chilena. Se você já está familiarizado com as atrações principais, como o Cerro San Cristobal, La Chascona (a casa de Pablo Neruda na cidade) e o Mercado Municipal, parta para algo diferente, como o Museo Chileno de Arte Precolombino ou o Centro Cultural Palacio de La Moneda. Escolha um restaurante no bairro Bellavista ou dentro dos hotéis de luxo, como o Radisson e o Ritz-Carlton, para jantar e se aclimatar.
A mais importante região vinícola do país não fica na rota para Mendoza, mas é tão próxima da capital (80 km) que vale o desvio. Foi no Valle del Maipo que vinicultores descobriram que a cepa carmenère, tipo de uva que os franceses consideravam extinta, ainda frutificava – e muito bem – nos solos chilenos. O carmenère virou o carro-chefe da produção do país. A visita pode incluir passagens nas grandes produtores, como a Cousiño Macul, em atividade desde 1856, e a Concha y Toro, que tem ótima estrutura para visitantes. Um lugar simpático para almoçar na região é o restaurante Doña Paula, na vinícola Santa Rita. Caso você não se interesse pelos vinhos, a região também tem o que oferecer: em Cajón del Maipo, atividades ecoturísticas como tirolesa com os Andes ao fundo têm ganhado força. Volte para Santiago para continuar a viagem no sentido nordeste.
A distância para ser percorrida com seu carro alugado no Chile nem é tão grande nesse trecho, mas se programe para ir devagar e curtir a paisagem. Há uma rota mais selvagem Veja Nota
para chegar a Mendoza, mas totalmente desancoselhada no inverno e que merece cautela também no verão. O mais indicado é sair de Santiago, pegar a Estrada 57 até Los Andes e depois seguir montanha acima. Logo depois de Alto de la Posada, prepare a máquina fotográfica (e o estômago): no trecho conhecido como Los Caracoles, dezenas de curvas muito fechadas desafiam o motorista. Depois de cruzar a fronteira, o vilarejo de Puente del Inca, assim batizado por causa de uma ponte natural em pedra sobre o Rio Las Cuevas, fornece uma vista fabulosa das montanhas, inclusive do Aconcagua. Siga pela Ruta 7 (bem movimentada, por sinal, até Mendoza). Ao chegar, aproveite algum dos ótimos restaurantes da cidade.
Rota 52
Depois de atravessar a fronteira do Chile com a Argentina e chegar a Puenta del Inca, uma alternativa para ir até Mendoza é a Ruta 52, ou Estrada de Villavivencio. Mas ela é apenas para os muito corajosos: são mais de 350 curvas em pista muito estreita (que muitas vezes permitem a passagem de um só carro) e sem proteção para os abismos logo abaixo – alguns deles ultrapassam os 3 mil metros de profundidade! Na Cruz de Paramillos, é possível ver todo o Valle de Villavivencio, com um ângulo privilegiado do Aconcagua. Detalhe: a estrada não tem nenhum tipo de serviço, nem mesmo de socorro.
Até meados dos anos 1990, Mendoza era uma cidade meio empoeirada no pé da cordilheira, com produtores de vinho dominando os negócios locais e pouco movimento de forasteiros. A subida na qualidade na vinicultura argentina provocou uma revolução na cidade, que hoje tem hotéis de luxo (como Park Hyatt e Sheraton) e restaurantes com charme e boa gastronomia de sobra, como o da vinícola Escorihuela. Também é um excelente centro de compras além dos vinhos, com boas lojas de couro, lã e cashmere (que estão entre os melhores do mundo). Aproveite o dia para reservar visitas nas adegas (são cerca de 100 à disposição!) e curtir o clima diferente de Mendoza Veja Nota
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Deserto e neve
Mesmo com a abundância úmida da Cordilheira dos Andes bem ao lado, Mendoza tem clima desértico. A cobertura fornecida pelas montanhas justifica, em parte, esse clima: os ventos do Pacífico não chegam aqui. No inverno, quase não chove e muitas vezes neva; o verão é mais úmido. As oscilações de temperatura são grandes, por isso é bom levar agasalho em qualquer época do ano. Curiosidade: para compensar a secura de Mendoza, suas ruas têm pequenos canais junto ao calçamento, preenchidos por águas que descem das montanhas. O Parque General San Martín, que tem até zoológico, fornece o descanso verde.
São muitos os vales ao redor de Mendoza famosos pela produção de vinho. Dois dos mais importantes são o Valle do Maipú, no sudeste de Mendoza, e o vizinho Luján de Cuyo, ambos produtores de ótimos rótulos da uva malbec. Aproveite para visitar a Bodega La Rural (www.bodegaslarural.com), fundada em 1895, que conta com o Museo Del Vino. Na Família Zuccardi (www.familiazuccardi.com), dos vinhos Zuccardi, a visita deve ser agendada e inclui, dependendo da época do ano, colheita e aulas de gastronomia. A Nieto Senetiner (que produz bons vinhos das uvas Malbec, Shiraz e Cabernet Sauvignon e tem alguns de rótulos importados para o Brasil), abriga um delicioso restaurante ao ar livre pousada (www.nietosenetiner.com.ar). Alguns dos vinhos argentinos mais premiados da atualidade, como o Catena Zapata, são produzidos pela vinícola Nicolas Catena (www.nicolascatena.com), em Luján de Cuyo. Outra região importante é o Valle do Uco, a 110 quilômetros ao sul de Mendoza. Entre as vinícolas da região, a Salentein (www.bodegasalentein.com) é com certeza a mais famosa, com uma charmosa área para degustação e restaurante. De altitude ainda mais elevada e adornado pelas neves da Cordilheira dos Andes, o vale também é propício para prática de esportes de aventura.
Acorde bem cedo para aproveitar um dia muito diferente na região: é hora de encarar um gigante. Ou vários. O Aconcágua, com 6959 metros de altura, o que faz dele o maior pico do mundo fora do Himalaia, não é o único grandão do pedaço: outros nove picos com mais de 5000 metros ficam na região. A montanha fica dentro do Parque Provincial Aconcágua, a 180 km de Mendoza, onde acampam aqueles que irão desafiar a montanha. Mas nem pense em se arriscar. Subir é para poucos, pois exige preparo e aclimatação. Quem estiver disposto a se aventurar um pouco mais pode chegar à Laguna de Horcones, a 2950 metros. Alimentada pelas geleiras, a lagoa é acessível para rota de subida do rio Horcones. Na volta, aproveite para as últimas compras em Mendoza e faça um jantar típico argentino, com ótimas carnes e vinho, claro. Um dos melhores restaurantes da cidade, bem no centro, é o Azafrán, que convida o cliente a visitar sua imensa adega antes de olhar o menu e escolher primeiro os vinhos, depois os pratos que combinam com eles.
De volta ao Chile, aproveite para passar o dia em uma das melhores estações de esqui do Hemisfério Sul: Portillo. Embora seu grande charme seja a hospedagem por períodos de sete dias no inverno, dá para curtir Portillo em um passeio de um dia (em torno de US$ 65 o day use para uma pessoa) e até mesmo em pleno verão: o excelente restaruante mantém-se em atividade o ano todo. A região do resort tem ótima vista das montanhas, com ou sem neve. É claro que, com neve, dá para aproveitar ainda mais, inclusive com aluguel de equipamento e aulas particulares de esqui. Ao final da tarde, retorne para Santiago, distante 160 km de Portillo.
No último dia de viagem, aproveite para explorar os arborizados bairros residenciais de Santiago, como Bellavista (com casas coloridas) e Paris-Londres (com charmosas ruas de pedra). Combine a devolução de seu carro alugado e curta tranquilamente o final de seu roteiro Self Drive.
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